Melhorar as condições de conforto dos utilizadores dos transportes públicos colectivos, contribuir para a revitalização do centro histórico de Ponta Delgada, ao retirar o estacionamento de autocarros da Avenida Infante D. Henrique e ao fomentar a circulação de pessoas num eixo que perdeu peso em termos sociais e comerciais no desenvolvimento da cidade, são as vantagens que a Presidente da Câmara Municipal, Berta Cabral, deixa em cima da mesa quanto à da construção da Central de Camionagem na zona poente da cidade, designadamente na freguesia de São José.
A proposta mais viável em termos financeiros e de mobilidade, que esteve na base da sessão pública de esclarecimento, realizada esta quinta-feira para a localização da futura central de camionagem, na freguesia de São José, é a da oportunidade da autarquia poder construir a Central de Camionagem no antigo Ringue do União Sportiva, na Rua de Lisboa. Trata-se de um espaço que, neste momento, está sem utilização e que é do domínio privado, tanto que já decorre na Câmara Municipal de Ponta Delgada um processo de licenciamento para a construção de um edifício de habitação e serviços no local onde a autarquia pretende adquirir o rés-do-chão para levar por frente o projecto tido como prioritário para o trânsito e estacionamento no núcleo urbano: a Central de Camionagem.
A uma sala cheia de munícipes de todo o concelho de Ponta Delgada, e em especial de São José, Berta Cabral veio novamente explicar que, desde 2003, que a Câmara Municipal tem vindo a colocar em cima da mesa várias alternativas de localização para a futura central, que segundo os estudos técnicos elaborados para este efeito apontam para a construção da infra-estrutura o mais próximo possível da linha de costa, muito em especial na zona poente de Ponta Delgada; o lado poente que está social e economicamente descompensado e despovoado, e em evidente desequilíbrio relativamente à zona nascente, para onde foram projectados muitos dos investimentos públicos e privados nos últimos anos, depois da deslocalização do antigo hospital para a Grotinha, nos Arrifes, e da saída de vários serviços públicos localizados junto ao campo de São Francisco para zonas de maior expansão.
Berta Cabral sublinhou que a Câmara mantém em cima de mesa o primeiro projecto para a Central de Camionagem (terminal subterrâneo no Campo de São Francisco), embora com mais custos para o concelho. Isto, além do que tem sempre que apresentar mais do que uma solução para se precaver dos pareceres das entidades governamentais, que são fundamentais para o licenciamento da Câmara do projecto do grupo Pestana na Rua de Lisboa, cujo avanço está agora dependente do parecer da Direcção Regional de Cultura. A DRAC põe em causa a localização e a volumetria da estrutura, que de acordo com o Plano Director Municipal de Ponta Delgada, até respeita os requisitos em termos da salvaguarda patrimonial da envolvente ao Coliseu Micaelense – o edifício não terá 7 pisos como se fez crer, mas no máximo 5, ficando três na fachada.
A Presidente da Câmara reafirmou que a construção da central de camionagem na Rua de Lisboa é, em termos económicos, mais viável para a autarquia e por consequência para os munícipes. Até porque, ao se instalar ali a central permitirá revitalizar económica e socialmente aquela zona de Ponta Delgada, criar mais estacionamento, servir melhor as milhares de pessoas que diariamente acedem à cidade via transporte colectivo de passageiros, vindas de outras zonas do concelho, bem como dos vários concelhos de São Miguel, proporcionando-lhes, por um lado, melhores condições de conforto enquanto esperam pelo autocarro (num local abrigado que a Avenida Infante D. Henrique não oferece) e, por outro, o acesso directo ao centro de Ponta Delgada, através do Largo 2 de Março e da Rua Machado dos Santos, zonas de grande actividade comercial, sendo que a falta de circulação e o cada vez menor acesso à cidade por aquela via têm depauperado as expectativas do comércio e posto em causa a segurança naqueles eixos citadinos.
Criar uma nova centralidade na poente da cidade, que está a esvaziar-se, e criar condições atractivas de maior investimento naquela parte central da freguesia de São José são os argumentos que a autarquia de Berta Cabral assume como os melhores para moradores e para as milhares de pessoas que utilizam os transportes inter-urbanos para virem à cidade, para as escolas, para o trabalho, para acederem directamente aos serviços que nela estão localizados, sem recurso às inconveniências de um cenário inter-modal que obrigaria aqueles que vindo de longe terem de recorrer a pelo menos a mais um transporte para chegarem ao centro.
A sua localização na zona poente de Ponta Delgada não é também escolhida ao acaso: resulta de estudos como o Plano Estratégico de Ponta Delgada – que esteve na base na revisão do Plano Director Municipal – de estudos de mobilidade na cidade, bem como de várias alternativas de localização estudadas por técnicos em anos chave como o de 2003, 2006 e mais recentemente, entre 2008 e 2009, além de estudos de tráfego e estacionamento, e estudos geológicos e geotécnicos, todos colocados em cima da mesa pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Na sessão de quinta-feira Berta Cabral defendeu a importância de um investimento externo na cidade, como mais-valia económica, para desenvolvimento do concelho, mas, sobretudo para São José.
De parte, não ficaram as preocupações quanto aos congestionamentos de trânsito que uma estrutura como a central poderá trazer à Rua de Lisboa. É por isso mesmo que está feito um levantamento de necessidades que aponta para uma intervenção na Avenida Roberto Ivens, como uma artéria de acesso directo, a constituição de três vias de circulação (duas no sentido ascendente e uma no sentido descendente), mantendo-se a sua largura de 9 metros e os locais de estacionamento aí existentes, criando-se um sistema de semaforização semi-actuada para o cruzamento entre a Avenida Roberto Ivens e a Rua de Lisboa.
Segundo os estudos de tráfego, nas horas de ponta, chegam 34 autocarros a Ponta Delgada. Na Avenida Roberto estes autocarros teriam uma via no sentido ascendente, à esquerda de uma via no mesmo sentido apenas para os automóveis para a Rua de Lisboa. Da sessão pública desta quinta-feira fica, ainda, registada a necessidade de aprofundamento dos estudos de tráfego e do impacto da central a este nível.
Uma coisa ficou, entretanto, esclarecida, a receber pareceres favoráveis das várias entidades governamentais competentes, a construção da central terá como horizonte temporal o ano de 2011; a aquisição do terreno por parte do Município será sempre feita no interesse da população de Ponta Delgada; e, como defendeu a Presidente da Câmara Municipal será sujeita a um processo de avaliação, por parte de uma comissão de acompanhamento a criar para o efeito e que deverá integrar (conforme convite feito publicamente pela Presidente da autarquia) o vereador do PS José San Bento que, desde 2002, tem estado a acompanhar como é da sua competência as questões municipais no sentido de minimizar as questões de trânsito e estacionamento em Ponta Delgada.
Ponta Delgada, 5 de Março de 2010
Gabinete de Imprensa
Luísa Silva